Uma ideia para a reforma tributária

Recentemente um cliente foi autuado em perto de 1 milhão de reais por sonegação de impostos, e me chamou a atenção o fato de que esse cliente nunca quis sonegar.  Sua orientação foi a de pagar 100% de tudo, e não havia motivo para não fazer isso, ainda assim, acabou inapelavelmente autuado e condenado.

Aconteceu porque o gestor foi mal assessorado por seu contador, mas também porque a complexidade tributária o pegou.  Eles estavam  preocupados em tocar seu negócio, conquistar clientes e disputar um mercado concorrido, enfrentando uma crise terrível, mas totalmente despreparados para lidar com CFOP, NCM, substituição tributária, e todas as exigências da legislação.  No final, acreditavam ter uma isenção, acabaram recolhendo menos do que deveriam, e foram duramente punidos por isso.

Não são uma exceção.  As armadilhas tributárias existem em todo o lugar, e a injustiça é a regra.  Vou me limitar a poucos exemplos.

  1. O cálculo da substituição tributária requer informar percentuais diferentes de valor por estado, além de regras de recolhimento distintas.  Esses percentuais não existem em uma tabela, e variam conforme o produto, havendo ainda exceções.  Para saber os valores, é necessário recorrer a empresas de consultoria que se debruçam sobre diários oficiais, e cobram caro por isso.
  2. Calcular o ICMS é uma epopeia, a base de cálculo e os percentuais mudam completamente conforme a operação, estado, tipo de cliente e empresa que emite, em cada caso o cálculo é difícil e requer horas de estudo.
  3. Uma carga com autopeças viajava para o Rio Grande do Sul, quando foi parada por um fiscal da receita, que discordou do cálculo e fez a carga voltar para São Paulo.  O cálculo estava correto.
  4. Empresas gastam 20 ou 30 vezes mais horas para calcular os impostos do que em países normais.  A complexidade é tanta que não existe uma pessoa que saiba calcular os impostos corretamente sem recorrer a normas e consultorias especializadas, a legislação do ICMS sofre uma modificação em média a cada 48h.

Além do arcabouço de leis a carga também é injusta, desproporcional e burra.  Os legisladores não conseguem abolir nem simplificar, mas é muito fácil criar uma nova norma e mais exceções.  E os impostos são absurdamente altos, pelo menos na letra da lei.  Felizmente para o consumidor, existe a sonegação.

Digo com segurança que a maior parte das pequenas empresas do país sonega impostos.  E na grande maioria, porque é uma questão de sobrevivência.  O governo as obriga a agir assim, vejam meu exemplo (que não é real em termos de personagem, mas é real em números).

“O sr. José é dono de uma loja e opera sob o simples nacional, apesar de já ter ultrapassado a cota do simples, a manipulação se faz com empresas diversas faturando, registradas em nome de familiares.  Sua carga tributária, se agisse conforme a lei, seria em torno de 28% só de impostos diretos.  Pelas manipulações, deveria pagar 18%, mas efetivamente recolhe algo como 7%, ou seja, sonega até no simples.

Por que ele não é pego? Simples, porque ainda assim, recolhe mais do que outras empresas semelhantes, porque recolhe valores elevados, e porque se forem autuadas todas as empresas do seu setor, fecharemos 90% das lojas deste setor e o custo das mercadorias vai aumentar ainda mais ao consumidor que já paga muito.

Vejam os números:  ele compra a mercadoria e revende por 3 vezes o custo do fabricante, que igualmente emite meia ou nenhuma nota.  Na prática aplica menos que 3 vezes, porque facilita o pagamento em muitas parcelas sem juros. Na ponta do lápis, ele apenas dobra o custo inicial ou um pouco mais do que isso, assim como todos os seus concorrentes.  Seus custos de aluguel e funcionários batem em 25-30%, luz e outras despesas mais 10%, e seu lucro antes dos impostos não chega a 10%.  Seu padrão de vida reflete os 3-5% que restam, muito menos do que paga em impostos, o que ainda é um bom dinheiro.  A aplicação rigorosa da lei o obrigaria a fechar seu negócio.

Que saída tem o sr. José?

Ele poderia repassar o preço ao consumidor, mas isso faria seus preços ficarem 20% acima da concorrência perdendo qualquer chance no mercado, e ele iria à falência.”

Agora permita-me descrever o sr. José.  Ele não é um criminoso, trata razoavelmente bem seu pessoal e cumpre a lei trabalhista, além de dar premiações e bônus.  Ele não é um benemérito no sentido de Madre Teresa de Calcutá, é apenas um dos sujeitos que movimenta a economia e no final faz mais bem à nação do que o prejuízo que supostamente traz pelo que deixou de pagar.  Ele com certeza não é o culpado pela situação do Brasil, é um sobrevivente.

Como resolver o caso do Sr. José?

A solução é simples, mais do que parece.  Basta tributar os produtos após o cálculo da nota, como fazem os americanos.  Só isso?  Talvez não, mas isso daria um imenso passo adiante.

Se duas empresas praticam o mesmo preço e uma delas mantém preços baixos porque sonega, a outra quebra porque não tem um preço competitivo.  Se ambas pagarem 100%, o mercado não aguenta e quebram ambas, simples assim.

Se por outro lado, o sr. José não for obrigado a embutir os impostos no preço, não tem como seu concorrente baixar o preço artificialmente.  O preço anunciado não contém os impostos, que são recolhidos separadamente.  Eles saem da planilha de custos do sr. José, facilitam a sua vida, e deixam claro para o consumidor o quanto ele paga pelo governo.

Um produto anunciado por 100 reais, com uma carga tributária de 12% custaria para o consumidor 112 reais.  É altíssimo pelos padrões mundiais, mas paradoxalmente menos do que nossa tributação nominal (o que o governo espera que paguemos) e mais do que o recolhido hoje por conta da imensa sonegação.

Isso forçaria o governo a reduzir a carga tributária, porque a população teria mais visão de quanto o governo pesa na sua vida.  Hoje, mostrar que 35% de impostos é calculado no final da nota não adianta, ninguém acredita nisso e não muda nada, nem é verdade.  O consumidor só entende que tal produto custa tantos reais, aumentou ou diminuiu.

Também faria com que o sr. José tocasse seu negócio em paz, ele teria que repassar ao governo o percentual e pronto.  E francamente, faria isso direito não porque foi acometido por patriotismo ou um surto súbito de honestidade, mas porque seria melhor para ele.  Ficaria livre de fiscais, não seria prejudicado por um concorrente desonesto, e o custo ainda que elevado de impostos não seria um problema para sua competição, seria como deveria ser, um problema do consumidor.

O consumidor saberia exatamente o que paga, e a competição justa faria os preços caírem.  Igualmente, diminuiriam a pirataria e o contrabando, as empresas de fachada e esquemas criminosos diversos (nem todos infelizmente).

A sonegação se tornaria menos frequente e mais fácil de combater, haveria transparência nas empresas e uma competição mais justa.  A redução da sonegação melhoraria o ambiente de negócios e no final, menos impostos gerariam mais caixa.

Haveria exceções pontuais, ajustes para produtos vendidos na rua, etc., mas no grosso isso resolveria muita coisa.

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Carta aos meus filhos e noras

Só queria dizer quanto os amo.  Eu sei que já falei antes sobre isso, mas preciso repetir e reafirmar, que até aqui lutei para ter uma família forte e unida, e que me orgulho de cada um de vocês por muitas realizações.
No meu entender, o amor de um pai precisa ser incondicional, unidirecional e sincero.  Ao se casarem com meus filhos, minhas noras tornaram-se não apenas parte da família, mas são como filhas também, porque se tornaram um com meus filhos.  São minha progênie e tenho a obrigação de amar e cuidar de cada uma como um filho.
O amor de um pai para um filho (ou mais corretamente da mãe para o filho) é o que mais se assemelha ao amor de Deus, ainda que qualquer comparação com Deus seja muito distante, Seu amor por nós é incompreensível.
A mãe ama o filho amoroso, ama o filho rebelde, ama o que a maltrata, ama o que se distancia, e vai protege-lo e cuidar dele enquanto tiver forças para isso, e se estiver fraca, idosa e sem condições, quando nada mais puder fazer, ainda vai orar por seus filhos.  Nunca vai desistir deles, nunca.
Os filhos nunca terão condições de retribuir aos pais o que receberam.  Nem financeiramente, nem em tempo dedicado, nem na devoção, não porque sejam maus, mas porque é impossível.  A mãe dedica 100% do seu tempo, sacrifica saúde, noites de sono, viagens, e muitas vezes sonhos e expectativas por tanto tempo, que o filho não vai conseguir.
Os pais serão normalmente autossuficientes por tempo suficiente para que seus filhos não tenham a necessidade de retribuir, então, o que podem fazer é passar aos seus filhos o mesmo amor que receberam, é assim que deve ser.
Pais querem poucas coisas dos filhos, mesmo pedindo e exigindo muito deles.
1) Que sigam seus conselhos.
2) Que demonstrem gratidão e honrem seu nome.
Nesse ponto, pais são protótipos de deuses.  Nosso Pai Celestial não precisa de nada para Ele próprio, nada podemos retribuir a Ele.  Tudo o que podemos fazer é seguir Seus conselhos e demonstrar gratidão.
Seguindo seus conselhos, seremos novamente abençoados, e demonstrando gratidão sentiremos paz na consciência.  Ele, em Seu amor infinito, ainda nos recompensará ainda mais.
Oro para que vocês continuem progredindo, e nada lhes peço a não ser o que meu Pai me pediu, que sigam meus conselhos e que sejam gratos.

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O filho pródigo

Em Lucas no Novo Testamento lemos sobre a parábola do filho pródigo.  Um menino sem noção das consequências de suas ações resolve tomar sua parte na herança e sair para o mundo.  Cada vez que leio esta parábola, coloco-me no lugar de um dos personagens.  A maioria das vezes sinto-me eu mesmo como o filho pródigo, que deixei a presença de Deus e vim me aventurar nesta terra, e aqui cometi todo tipo de tolice e paguei caro por isso, ou das muitas vezes que ignorei os conselhos de meus pais e tomei minhas próprias decisões erradas.

Em outras ocasiões, penso no outro filho que ficou, e que mesmo sendo o mais fiel, sentiu-se desprestigiado ao ver o pai dar toda a atenção ao filho pródigo.  Como meu pai pode sofrer tanto por um irmão meu tão tolo, e ignorar que estou aqui fazendo meu papel?  Será que ele me despreza?  Será que meu irmão é tão importante assim?

Esta história tem basicamente esses três personagens.  Pai, filho pródigo e filho fiel.  Nada é dito sobre a mãe do filho pródigo, não sei porque.  Acredito que as dores do pai sejam as mesmas da mãe, e que a história se basta como foi escrita.

Hoje eu ponderei sobre o pai do filho pródigo.  Quando seu filho deixou o calor do lar, o pai com certeza implorou para que ele não o fizesse.  Como todo pai, ele pressentiu os sintomas iniciais de insatisfação do filho, mas não foi capaz de reverter o processo, e todos os dias se pergunta onde errou.  Não poderia ele corrigir o problema enquanto ainda era tempo?  Será que algo que disse ou fez teria contribuído para a saída do filho?  São dúvidas que visitam seus pensamentos de dia e de noite, o tempo todo, um ritual surdo e constante, uma agonia profunda que já não o deixa dormir tranquilamente, chorando pelos cantos sem quem o console, sem poder sequer expressar sua dor, pelo temor de piorar algo que já está muito ruim.

A partida do filho deixou o velho inconsolável.  Ele agora implora com toda a força para o filho: Não vá, não faça isso, você acha que sabe mas de fato, não sabe o que está fazendo, por favor, pare enquanto é tempo.

A vida não é sempre tranquila em casa, há momentos de alegria e de dor, momentos de tediosa espera e rituais modorrentos também.  Há pequenas injustiças e desgastes também, a vida sempre é atribulada nesta existência temporária e mortal.  Mas a casa é aconchegante, a lareira acesa no inverno junto com a sopa quente servida pela mãe, os risos das trapalhadas do dia, as conquistas, a vida em casa é boa.  No verão, os refrescos e a sombra das árvores tornam tudo mais suave, é possível passear mais, nadar.

Tantas pessoas anseiam por apenas um dia num lar assim, e não tem. O que parece trivial, na verdade, é um prato raro servido num restaurante sofisticado. Os comensais apenas não se dão conta disso, reclamam da demora do garçom em trazer o cardápio, e se esquecem de onde estão.

O dia seguinte à saída do filho é o pior de todos.  As lágrimas já não se constrangem mais e derramam-se miúdas, molhando o travesseiro. Sozinho, silencioso, o mundo à volta já não importa mais. A figura de seu filho no horizonte, lentamente se afastando na estrada poeirenta da insensatez, torna-se apenas um ponto distante até não poder mais ser vista.  Essa figura não sai da mente do velho homem, inconsolável.

Sua voz já não pode mais ser ouvida, ele então volta-se a Deus, e implora que traga seu filho de volta.  Seu orgulho já não existe mais, e por muito tempo seu sorriso desaparece, sente-se a pior de todas as criaturas.  Cada relato que lhe chega aos ouvidos de seu filho agindo errado, sim, porque as notícias de mau agouro chegam com a velocidade do raio, doem como adagas fincadas em seu peito, e para ele quem dera fossem adagas mesmo e que a dor fosse apenas física, por pior que fosse.

Nos próximos dias, ele senta-se em sua cadeira de balanço na varanda, e tolamente mira o horizonte onde seu filho desapareceu, na vã esperança que um pontinho apareça, e seja seu filho.  Inúmeras vezes é traído por uma falsa impressão, em cada uma delas renova suas esperanças.  O filho que ficou pede que ele entre, sua esposa o consola e ele cede, levado pelo cansaço.  Até o dia seguinte, quando retoma seu ritual.  Ele sabe que o retorno não será breve, mas recusa-se a acreditar.  Tal como os hebreus reunidos na praça onde viram Jesus ascender aos céus, anjos descem e avisam que isso não se dará imediatamente.

Felizmente, sua vida precisa continuar.  Ele precisa cuidar do gado e abastecer sua casa.  A dor torna-se mais manejável, ainda cruel, mas ele precisa ter forças e continuar.

Para quem o vê, tudo parece normal.  O velho homem sorri novamente, volta a trabalhar.  Mas ninguém se engane, sua vida nunca mais será a mesma, até o dia de sua morte seus pensamentos se voltarão ao filho que se foi, e no silêncio de seus aposentos ressoará a letra do hino que diz que “nos recônditos da alma, dores há que não se veem”.

 

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Os bons, os maus, e os tolos

Vivemos uma situação análoga à da queda do Império Romano, guardadas as proporções e ao fato de que nenhuma situação histórica similar acontece exatamente nas mesmas condições.  As similaridades ajudam os sábios a entender como se prevenir de catástrofes futuras, e as evidentes diferenças dão razão aos maus para afirmar categoricamente que o novo nada tem a ver com o velho, deixando os tolos restantes anestesiados.

Excessiva corrupção, leniência das autoridades e um povo complacente, disposto a vender-se por migalhas, antes chamadas de pão e circo, agora revisitadas como Bolsa família, vale gás, e outros benefícios, que embora indispensáveis em momentos de emergência, são danosos como solução prolongada ou contínua.  Tudo isso nos leva até Roma, mas não só isso: instabilidade política, corrupção generalizada tanto dos amigos de César como de seus inimigos, e acredito eu, a mais perigosa de todas: a sensação de que isso tudo é normal e que podemos levar a vida nos conformando e aceitando tudo.

Gostaria de montar sobre a autoridade de não ser mais jovem, mas a idade não traz necessariamente a sabedoria.  A sabedoria não vem da riqueza ou da pobreza, e nem sempre de grandes volumes de conhecimento, claro que com certeza muito menos da falta desse.  A sabedoria vem para você ou para mim como veio para Salomão, quando é buscada.  Ao buscar sabedoria, encontramos.  A maior parte das pessoas busca o prazer e a recompensa imediata, a sabedoria é uma iguaria fina e não fast-food.  É preciso olhar além de sua mesquinhez ou orgulho para obtê-la, é preciso estar disposto a constantemente mudar suas opiniões, moldando-as a novos paradigmas.  Não é para qualquer um.

Não é necessário ser profeta ou possuir diplomas de Harvard ou Haia para entender o que se passa.  Mas é preciso olhar, prestar atenção nos detalhes e estar disposto a ver as coisas como são e não como desejaríamos que fossem.

Nosso belo país caminha para uma derrocada histórica, de proporções ainda imprevisíveis.  Algumas catástrofes já são irreversíveis, mas a maioria não.  O que não é exatamente um consolo.  Você pode estar dirigindo seu carro em direção ao precipício, mas nada vai acontecer se você frear e der a volta.  É urgente frear e dar a volta, a iminência da tragédia é tão real quanto sua possível solução.  Caso você se convença de que o precipício é apenas uma ilusão alarmista e que acelerar o carro o levará mais rápido, já sabe o que vem.  Um ditado sábio diz que “devemos tomar cuidado para não acabar chegando no lugar para onde estamos indo”.

Há alguns anos, um projeto de poder capitaneado por um sujeito semi-alfabetizado tomou conta do país.  Seu discurso sempre foi o de ajudar os pobres, mas por trás da pele de cordeiro esteve sempre visível o lobo voraz, nunca foi fácil escondê-lo.  Seu discurso mudou com o tempo, até o mensalão era o da honestidade e combate aos poderosos, depois mais fortemente de “colocar comida na mesa do trabalhador”, atualmente é o de “defender a democracia”, quando tudo fizeram para acabar com ela.

Gradualmente, os novos donos do poder trataram de asfixiar a mais básica instituição democrática, a justiça.  Infiltraram juízes amigos, um a um, depois tomaram conta loteando descaradamente as instituições públicas, empresas estatais, autarquias, fundações, tudo aquilo que pode render poder foi tomado.  A economia começou a sentir seus efeitos, mas foi acalmada com volumosos empréstimos do tesouro para o setor público, para o setor privado e para programas sociais.  A maior parte do dinheiro foi dada para os amigos.  Um churrasqueiro particular, ex-líder sindical, passou a ser diretor do Banco Central.  Um amigo da família da esposa foi nomeado juiz do STF, juízes foram agraciados com causas muito bem remuneradas, parte da imprensa foi sufocada por ameaças e processos, outra parte comprada, restando alguns bastiões com parcial independência, alvos de críticas de toda parte.

Absurdos acontecem diante de nossos olhos todos os dias, fazem-nos de tolos mas não à toa, porque realmente somos tolos, ou nos esforçamos para ser.  Se Dilma Roussef foi presidente do conselho de administração da Petrobrás, como ignorou a compra de uma refinaria que gerou um prejuízo de mais de 1 bilhão de dólares?  Como uma transação desse porte passaria despercebida?  Isso é apenas uma migalha perto do que aconteceu.  O sr. Arno Augustin fez manobras contábeis no governo do Rio Grande do Sul que geraram prejuízos de 7 bilhões de reais, através de contabilidade criminosa (ou criativa como chamam), como ele poderia ter sido contratado para fazer o mesmo com o BNDES, agora gerando 585 bilhões de prejuízo?  Quem o contratou era tão ingênuo ou (claro) fez de propósito para fins criminosos?  A Presidente fez as chamadas pedaladas fiscais, em aberto desrespeito à Lei de Responsabilidade Fiscal, e afirma candidamente que nunca fez nada errado, imediatamente aplaudida pelos maus e deixando os tolos sem saber o que fazer.

Os bons são poucos, os maus são em número maior mas também não muitos.  Os tolos dominam a paisagem, até onde a vista alcança.  Foram eles que permitiram aos maus ter os votos que precisavam, e que agora se alinham aos bons, mas também temerariamente, sem grandes convicções, prontos a mudar de lado conforme bate o vento.

As vozes que mais importam não são as mais ouvidas.  São vozes que mal se percebem no meio de toda a barulheira da disputa partidária.  Analistas sérios recomendando tirar dinheiro do Brasil, empresários demitindo e se preparando para tempos piores, pessoas refreando gastos e se preparando como quem veda suas janelas com compensado antes da chegada do furacão.  Outros como eu que ficam gritando no vazio, na esperança que alguém os ouça e pare o ciclo autodestrutivo.

O Brasil é como um dependente químico onde a saúde ainda permite uma vida normal, mas que por conta disso aumenta as doses dos barbitúricos, achando que nada virá de mal.  Ele ainda pode se recuperar, mas precisa parar com as drogas.  Os maus dirão que somos nós os responsáveis pela ruína, os tolos apenas rirão, afirmando que somos malucos.  Os bons são poucos.

Vou deixar aqui algumas profecias, registradas para uso futuro.  Por enquanto, duvido que alguém fará algo sobre isso ou dará importância mais que algumas curtidas avulsas.

1)      O PT não deixará o poder gratuitamente.  Vai resistir e como um bandido acuado, vai atirar para todo o lado, corrompendo mais abertamente e arruinando muito mais do que já tem feito.

2)      Nunca conseguiremos que uma parte da população seja convencida.  Há um tipo de fidelidade que Collor jamais sonhou conseguir.  Os esquerdistas não se importam de transformar o Brasil em uma gigantesca e miserável Cuba, alguns desejam isso.

3)      A economia vai retroceder muito ainda, antes de finalmente ganhar algum fôlego.  Até lá, as empresas vão quebrar e a pobreza se tornará mais cruel, muito mais do que imaginamos hoje.

4)      Passado todo o pesadelo, vamos dar a volta por cima.  O Brasil sairá da crise melhor do que entrou nela.

Temos a chance de fazer desse país uma potência mundial.  Temos um povo trabalhador, e ao contrário do que pensam, não somos generalizadamente corruptos.  Os maus bradam, mas o silêncio da maioria não implica em concordância.  Os bons existem, e os tolos apenas precisam ser menos tolos, fazendo com que a balança penda para o lado certo.

É uma questão de tempo.

 

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A suposta falácia da meritocracia

Vários artigos e posts vêm sendo publicados criticando a “falácia da meritocracia”.  O exemplo recorrente é o menino rico educado em bons colégios e treinado pelos melhores professores, concorrendo com o menino pobre da periferia, educado em colégios estaduais.

Esse raciocínio tem patrocinado cotas raciais e usado como base para invalidar avaliações de professores e alunos.  O assunto é recorrente entre esquerdistas, defensores da tal “justiça social”, um sistema onde uma pessoa ou um grupo estabelecem um critério de compensação de uma injustiça criando outra.

O conceito parece bonito, mas é muito perigoso.  Sua aplicação radical implica em se inverter os valores, e as consequências são as piores imagináveis.

Vamos aos fatos:

A meritocracia é a base da justiça.  Você promove os melhores, seleciona apenas os mais preparados.  Isso independe de política ou religião ou qualquer outra coisa.  Analise algumas situações:

  • Seu filho está com câncer, você pode pagar um bom médico.  Escolhe qualquer um ou procura o melhor?
  • Você está no supermercado, há várias frutas à venda.  Você escolhe as melhores ou pega aleatoriamente qualquer uma?
  • Você precisa contratar um executivo para tocar seus negócios.  Faz uma seleção rigorosa ou procura fazer justiça social escolhendo os mais pobres?
  • Seu filho vai se casar, acha que ele deve escolher qualquer uma ou gostaria de ter uma nora educada e correta?
A meritocracia é natural, você não pode impedir isso.  Não deve.  Ela pressiona os melhores a se tornarem ainda melhores, e os piores a buscar melhorar.  A ausência da meritocracia é impossível.
Agora na questão social, é justo que um aluno pobre vindo da escola pública concorra em condições de igualdade com um aluno rico educado nos melhores colégios?
Francamente, a resposta é sim.  Não é a mais politicamente correta, não é o que mais agrada as pessoas, mas a única possibilidade de justiça ao aplicar uma prova é analisar os resultados, e não quem o responde.  Porque basicamente, não compete a quem elaborou uma prova, julgar o mérito de porque um foi melhor que o outro.  Porque ao atribuir mais pontos para um aluno com base em sua cor, origem ou situação na vida, apenas tira a credibilidade de todo o sistema.
É fato que as situações não são justas.  Isso tem a ver com fatores muito mais amplos do que pobreza ou riqueza, cor ou origem.  Um aluno pode ser prejudicado porque o pai morreu no meio do ano letivo e isso criou um trauma que o fez tirar notas baixas.  Vamos criar uma cota para alunos recém-órfãos também?
A iniciativa de ajudar pobres e minorias é sempre positiva.  Deveríamos lutar por mais vagas, mais bolsas de estudo, melhores escolas públicas, mais vagas e melhores professores.  Reconhecer a falência ou ineficácia do nosso sistema de ensino não nos autoriza a destruí-lo por completo tirando dele o mais básico princípio da justiça, a meritocracia.
Recentemente no Masterchef Júnior, um menino negro foi desclassificado da prova.  Sua sobremesa não foi considerada boa o suficiente para a próxima fase.  Ele foi de fato muito bem e se fosse meu filho teria muito orgulho dele, conseguiu chegar perto, mas no final outros meninos foram melhores.  O importante é que ele não entrou na prova nem saiu porque era negro, isso não foi levado em conta, nem deveria.
Pelé foi o melhor jogador de futebol do mundo porque jogava futebol melhor que todos os outros, e não porque veio de Três Corações, não porque jogou no Santos e nada a ver com sua cor.  Isso apenas tiraria seus méritos.
O maior escritor da língua portuguesa (opinião minha e de outros escritores) foi Machado de Assis.  O homem era um gênio, e o fato de ser mulato não muda nada, assim como Einstein ser judeu.  Eles foram expoentes porque eram melhores.
A cota pode ser politicamente boazinha, mas não é correta.  Porque alguém que deveria ter passado no teste será tirado em função de outro.  É fazer, como diria meu avô, cortesia com o chapéu alheio.  Quem decide a tal da “justiça social” não é o aluno que foi tirado porque teve o azar de nascer branco ou azul ou verde, esse paga o pato da ineficácia do estado.
Argumentar que o ensino público é muito ruim, que as instituições estão falidas, e que nada presta, é o combustível que mantém essas políticas, mas nem isso é verdade.  Eu estudei em bons colégios públicos, minha mãe viúva não tinha como pagar escolas particulares.  Não fui melhor nem pior por causa disso, e tive professores muito bons, assim como depois, estudando em uma universidade privada, tivemos verdadeiras antas vestidas de jaleco.
A meritocracia é perfeita? Não.  Alunos vindo de escolas privadas têm mais chances? Claro que sim, ninguém é burro para dizer que não, mas a questão é: quem é você para julgar?

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A insustentável leveza do caráter de Lula

Li hoje a notícia de que Lula afirmou que “ninguém mais do que ele combateu a corrupção no país”.

Quase enfartei, mas depois de copos de água com açúcar e um desfibrilador, consegui recuperar o fôlego.

Lembra o sujeito pego pela mulher com outra na cama e diz: “Você prefere acreditar em mim ou nos seus olhos?”

Indignação é pouco.  Nunca antes na história deste pais alguém deflorou a verdade de forma tão ultrajante.  Não é possível que alguém ainda dê créditos para um embrulhão arrogante como esse.

Fiz uma lista de adjetivos que lhe cabem justamente dado seu histórico documentado:

  • Chefe de quadrilha.
  • Mentiroso contumaz.
  • Beberrão.
  • Adúltero.
  • Falacioso.
  • Arrogante.
  • Boca-suja.
  • Falso.
  • Enganador.
  • Bajulador.
  • Difamador.
  • Preguiçoso.
  • Ignorante.
  • Pelego.
  • Traidor.
  • Mau caráter.
  • Esnobe.
  • Racista.
  • Incitador de contenda.
  • Covarde.
  • Aproveitador.

Não é o mesmo Lula que levou a amante como companhia não documentada no avião presidencial?  Que negou de todas as formas o maior escândalo do Brasil, o mensalão?  Que foi o maior beneficiado pelo esquema?  Que por vários testemunhos chefiou o esquema?  Que depois disse serem caixa 2 como se isso fosse legal? E que agora nega que existiu mesmo com todas as provas já julgadas?  Que defendeu os mensaleiros enquanto lhe foi conveniente e depois os deixou na cadeia?

A única coisa inexplicável é a horda de gente que ainda dá algum crédito a essas bobagens.

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Nikita Kruchov e os “inimigos do povo”

Na época (pouco saudosa) de Kruchov, havia a designação de “inimigo do povo”, gente que era enviada para os Gulags, campos de trabalhos forçados para onde se ia mas não voltava ninguém.  Era difícil saber quem seria um “inimigo do povo” pois eram muitos os que conspiravam contra os comunistas.  O Partido Comunista da Ucrânia decidiu então que qualquer um que tivesse mais de uma vaca seria naturalmente um “inimigo do povo”, bons eram apenas os pobres proletários.

O resultado disso foram cinco milhões de mortos de fome na Ucrânia.  Quebraram todo o sistema produtivo: sem gente para colher a lavoura, acabou totalmente a comida.

A coisa começou com a instigação do ódio, não a uma pessoa ou partido, mas a todos os que conseguiram de uma forma ou de outra progredir na vida.

Quando vejo o ódio contra a “mídia golpista”, ou dizer que a culpa é das “elites brancas”, ou ainda, os meios de comunicação em geral, lembro que temos um país livre em que jornalistas (ainda) falam o que querem.

Não existe imprensa boa, existe imprensa livre ou imprensa a serviço de alguém.

Fernando Veríssimo é um escritor, de esquerda declaradamente, mas um escritor sério. Elio Gaspari é um jornalista com tendências para a esquerda, e do outro lado temos jornalistas igualmente sérios com uma visão mais à direita, como Reinaldo Azevedo, Augusto Nunes, Dora Kramer, e outros. É muito bom saber que temos imprensa livre, precisamos deles.

Precisamos de gente que chame um ministro de burro, o outro de ladrão e a presidente de “neurônio solitário” quando tiverem vontade. Temos que ter essa liberdade, precisamos de imprensa livre.

Existem jornalistas sérios e existem propagandistas, como Paulo Henrique Amorim e outros, que, diferente de seus colegas de esquerda, não têm propriamente uma ideologia, escrevem apenas para atacar adversários do governo.  São textos medíocres, e os ataques são pessoais.  São capazes de “matar um mosquito e engolir um camelo”, usando uma passagem da Bíblia.

A distinção é clara.  Um jornalista sério vai levar em conta os escândalos da Alstom no metrô de São Paulo, e também que as denúncias representam menos de um por cento da roubalheira da Petrobrás, por exemplo.  Não dá para esquecer um nem o outro, mas é preciso dar uma visão real das coisas.

Jornalistas sérios de esquerda engolem sapos todo o dia.  Nem mesmo Chico Buarque afirma que o mensalão foi uma invenção.  Paulo Henrique Amorim só publica “mensalão” (assim, entre aspas), como se não tivesse existido.

Não somos ainda a Ucrânia do pós-guerra, mas estamos caminhando para isso.  Um homem sábio disse que “um dia chegaremos ao lugar para onde estamos indo”.

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